Brasil lança agenda de R$ 140 bilhões em ferrovias com oito leilões até 2027
Especialistas alertam que ferrovias envolvem "maior complexidade técnica e riscos ambientais mais acentuados" que rodovias. A Ferrogrão enfrenta entraves legais, enquanto o Corredor Minas-Rio é visto como mais viável.
O Brasil possui uma das menores densidades ferroviárias do mundo. A agenda busca equilibrar a matriz de transporte e reduzir custos logísticos da economia brasileira.
O Ministério dos Transportes aposta no sucesso das concessões rodoviárias para atrair investidores. "Vamos atrair operadores de rodovias, investidores financeiros e estrangeiros. Já há muito interesse", afirma o secretário-executivo George Santoro.
Os projetos incluem Corredor Minas-Rio, Anel Ferroviário do Sudeste, Malha Oeste, Ferrogrão e três corredores da Malha Sul. Cada um apresenta desafios específicos, desde entraves legais até questões de viabilidade econômica.
Especialistas alertam para diferenças estruturais entre rodovias e ferrovias. Felipe Kfuri, do L.O. Baptista, destaca que "o setor ferroviário envolve maior complexidade técnica, volumes de investimento mais elevados e riscos ambientais mais acentuados".
As gestões anteriores de Temer e Bolsonaro priorizaram prorrogações de contratos existentes, com poucos avanços em expansão da malha. A Ferrogrão enfrenta entraves legais complexos, enquanto o Corredor Minas-Rio é visto como mais viável.
O Brasil possui uma das menores densidades ferroviárias do mundo, com matriz de transporte dominada por rodovias. A agenda representa tentativa de equilibrar essa equação e reduzir custos logísticos.
O Ministério dos Transportes, sob comando do secretário-executivo George Santoro, aposta no sucesso recente das concessões rodoviárias para atrair investidores mesmo em cenário de juros elevados. "Vamos atrair operadores de rodovias, investidores financeiros e estrangeiros. Já há muito interesse", afirma Santoro, esperando que a confiança do mercado se transfira para o modal ferroviário.
A carteira inclui projetos diversos como o Corredor Minas-Rio, Anel Ferroviário do Sudeste, Malha Oeste, Corredor Leste-Oeste, Ferrogrão, três corredores da Malha Sul e Extensão Norte da Ferrovia Norte-Sul. Cada projeto apresenta desafios específicos, desde entraves legais até questões de viabilidade econômica.
Especialistas, contudo, alertam para diferenças estruturais significativas entre rodovias e ferrovias. Felipe Kfuri, do L.O. Baptista, pondera que "o setor ferroviário envolve maior complexidade técnica, volumes de investimento mais elevados e riscos ambientais, fundiários e de demanda mais acentuados".
Eros Frederico, do SouzaOkawa Advogados, é ainda mais cauteloso: "O setor ferroviário parte de um patamar mais complexo" que o rodoviário, questionando se o sucesso recente das rodovias pode ser automaticamente transferido para ferrovias.
O modelo ferroviário brasileiro passou por desestatização nos anos 1990, permitindo ganhos de eficiência, mas tentativas posteriores de ampliar a malha enfrentaram obstáculos persistentes. As gestões de Michel Temer e Jair Bolsonaro priorizaram prorrogações antecipadas de contratos existentes, garantindo novos aportes em projetos já operacionais, mas com poucos avanços em expansão.
A Ferrogrão, um dos projetos mais emblemáticos da carteira, enfrenta entraves legais complexos, enquanto o Corredor Minas-Rio é considerado mais viável pelos especialistas. A diversidade dos projetos reflete tanto oportunidades quanto desafios do setor.
A expectativa governamental é iniciar os leilões ainda este ano, aproveitando o momento de relativa estabilidade econômica e interesse do mercado. O sucesso da agenda dependerá da capacidade de superar gargalos históricos que têm limitado o desenvolvimento ferroviário nacional.
O Brasil possui uma das menores densidades ferroviárias do mundo para um país de suas dimensões, com a matriz de transporte de cargas dominada pelo modal rodoviário, mais caro e menos eficiente para longas distâncias. A agenda representa tentativa de equilibrar essa equação, reduzindo custos logísticos e aumentando a competitividade da economia brasileira.