Governo zera impostos do diesel e cria subsídio de R$ 0,64 por litro para conter alta dos combustíveis
O governo Lula zerou os impostos federais sobre o diesel e criou uma subvenção de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores do combustível. Juntas, as medidas devem reduzir R$ 0,64 por litro nas bombas. Para financiar o pacote, será cobrado um imposto sobre exportações de petróleo bruto.
O motivo é a alta do barril provocada pela guerra entre EUA, Israel e Irã: o Brent chegou a US$ 120 esta semana e o diesel já havia subido cerca de R$ 0,50 por litro nos postos brasileiros, mesmo sem reajuste oficial da Petrobras. O governo exigiu das distribuidoras que o benefício seja repassado "imediatamente" ao consumidor.
As medidas são temporárias e seguem modelo semelhante ao adotado pelo governo Bolsonaro em choques anteriores. O risco é que, se o petróleo permanecer alto por muito tempo, o custo fiscal das subvenções cresça e a inflação retorne de qualquer forma.
O governo federal anunciou nesta quinta-feira (12) um pacote de medidas para conter a alta dos combustíveis provocada pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. O presidente Lula assinou decreto zerando os impostos federais (PIS e Cofins) sobre o diesel e uma medida provisória que cria uma subvenção de R$ 0,32 por litro a produtores e importadores. Somadas, as duas medidas devem reduzir R$ 0,64 por litro nas bombas, segundo o Ministério da Fazenda.
Para financiar o pacote sem ampliar o déficit, o governo criou um imposto sobre exportações de petróleo bruto. O ministro Fernando Haddad enquadrou a medida como uma taxação sobre o "lucro extraordinário" das petroleiras, que se beneficiam da alta internacional do barril.
O contexto é o bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial. O barril Brent chegou a US$ 120 no pico da semana, antes de recuar para cerca de US$ 97-100. No Brasil, o diesel já acumulava alta de 8,4% na última semana em São Paulo — R$ 0,50 por litro a mais — mesmo sem reajuste oficial da Petrobras.
O secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, reuniu representantes das maiores distribuidoras privadas e exigiu que o benefício fosse "imediatamente" repassado ao consumidor final. O governo também determinou que postos exibam sinalização informando a redução de tributos e os novos preços.
O modelo repete, em linhas gerais, a estratégia utilizada pelo governo Bolsonaro nos choques de 2021 e 2022, quando também foram zerados impostos sobre combustíveis. O principal risco é que o choque seja estrutural: se o petróleo permanecer acima de US$ 100 por período prolongado, o custo fiscal das subvenções cresce e a pressão inflacionária retorna. As medidas foram anunciadas como temporárias, sem prazo definido de vigência.
O governo Lula recorreu a um manual já conhecido — e polêmico — para conter o repasse da alta do petróleo ao consumidor brasileiro. Na tarde desta quinta-feira (12), o presidente assinou decreto zerando as alíquotas de PIS e Cofins sobre a importação e comercialização do diesel, além de uma medida provisória que cria uma subvenção de R$ 0,32 por litro a produtores e importadores do combustível. Somadas, as duas medidas representam um alívio de R$ 0,64 por litro nas bombas, segundo o Ministério da Fazenda.
Para financiar o pacote sem ampliar o déficit, o governo também anunciou a criação de um imposto sobre exportações de petróleo bruto. A lógica é redirecionar parte da receita gerada pela alta internacional do barril — que cruzou momentaneamente a marca de US$ 100 nesta semana — para subsidiar o combustível consumido internamente.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, justificou as medidas com o conceito de "lucro extraordinário": as petroleiras estariam se beneficiando da disparada dos preços no mercado internacional, e parte desse ganho seria redirecionado para proteger o consumidor. O secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, foi além e reuniu representantes das maiores distribuidoras privadas de combustíveis — responsáveis por cerca de 70% do mercado nacional — para exigir que o benefício fosse "imediatamente" repassado à ponta final da cadeia.
O contexto é a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada em 28 de fevereiro. O bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial — provocou forte volatilidade nos preços. O barril do tipo Brent, referência global, chegou a atingir US$ 120 no pico da semana, recuou após declarações do presidente americano Donald Trump sugerindo que o conflito poderia ter curta duração, mas voltou a operar próximo de US$ 97-100 após novos ataques iranianos.
No Brasil, o impacto já era sentido antes das medidas. Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço médio do diesel acumulou alta de 8,4% na última semana em São Paulo — cerca de R$ 0,50 por litro a mais nos postos. A gasolina ficou 11% mais cara no mesmo período. Sindicatos de combustíveis em Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Bahia, Minas Gerais e Rio Grande do Norte relataram aumentos entre R$ 0,30 e R$ 0,80 por litro antes de qualquer reajuste oficial da Petrobras.
A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) chegou a pedir ao CADE que investigasse os aumentos, que teriam ocorrido sem que a Petrobras tivesse promovido qualquer reajuste oficial em suas refinarias.
O pacote também prevê medidas de fiscalização e transparência: postos deverão adotar sinalização clara informando ao consumidor a redução dos tributos federais e o valor da subvenção. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) ficará responsável por definir os critérios objetivos de abusividade nos preços.
O governo ainda não definiu prazo de vigência das medidas, que foram anunciadas como temporárias e diretamente atreladas ao cenário da guerra. A manutenção do pacote depende, portanto, da evolução do conflito e do comportamento do petróleo no mercado internacional.
O movimento é comparado diretamente à política adotada pelo governo Jair Bolsonaro durante os choques de combustíveis de 2021 e 2022 — quando também foram zerados impostos federais sobre diesel e gasolina e criadas subvenções para conter pressões inflacionárias em ano eleitoral. À época, o mecanismo foi amplamente criticado por economistas como distorção de mercado, capaz de atrasar o ajuste necessário dos preços e gerar desequilíbrio fiscal de médio prazo.
O risco central, apontado por analistas, é que o choque de petróleo deixe de ser passageiro e se torne estrutural. Se o barril se estabilizar acima de US$ 100 por período prolongado, a subvenção se tornará cada vez mais cara para o Tesouro e a pressão para um repasse definitivo ao consumidor seguirá crescendo. Um estudo da XP estima que cada alta de 10% nos preços do petróleo adiciona entre 0,25 e 0,40 pontos percentuais ao IPCA, assumindo câmbio estável.