Copom inicia corte de juros, mas guerra no Oriente Médio limita alívio
O Banco Central cortou os juros pela primeira vez em quase dois anos. A Selic caiu de 15% para 14,75% — o maior patamar em quase duas décadas, mantido desde junho do ano passado. É uma boa notícia, mas menor do que poderia ter sido.
A guerra no Oriente Médio mudou os planos. Antes do conflito entre EUA, Israel e Irã, o mercado esperava que os juros caíssem muito mais ao longo de 2026. Agora, a guerra empurrou o petróleo para acima de US$ 100 o barril, pressionou os combustíveis no Brasil — o diesel subiu mais de 11% — e elevou as expectativas de inflação. Isso tira margem do Banco Central para cortar mais agressivamente.
O Brasil ainda tem a segunda maior taxa de juro real do mundo, atrás apenas da Turquia. Para quem tem financiamento ou pensa em contratar crédito, os custos seguem elevados — mesmo com o corte de hoje.
A trajetória dos juros a partir daqui depende de uma variável fora do controle do Banco Central: a duração da guerra.
O Banco Central cortou os juros pela primeira vez em quase dois anos. O Copom reduziu a Selic de 15% para 14,75% nesta quarta-feira (18/3) — encerrando um ciclo que havia levado a taxa ao maior patamar em quase duas décadas. O alívio, porém, é limitado. A guerra no Oriente Médio mudou o cenário e freou o que prometia ser uma queda mais expressiva.
Antes do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã — iniciado em 28 de fevereiro —, o mercado esperava que a Selic encerrasse 2026 em torno de 12,25%. Esse número já subiu consideravelmente nas projeções mais recentes. O problema central é o petróleo: antes da guerra, o barril estava abaixo de US$ 80; agora é cotado acima de US$ 100 em vários dias. No Brasil, o diesel já subiu mais de 11% nos postos, segundo a ANP. Parte do aumento veio de reajuste autorizado pela Petrobras. O governo investiga se distribuidores e postos estão usando a guerra como pretexto para aumentar margens além do justificável — a Polícia Federal abriu inquérito para apurar o caso.
O Copom reconheceu em seu comunicado que os impactos do conflito afetam "direta e indiretamente a inflação no Brasil", com incerteza elevada sobre a duração da guerra e seus efeitos sobre preços de commodities e cadeias de suprimento.
Mesmo com o corte, o Brasil mantém a segunda maior taxa de juro real do mundo, atrás apenas da Turquia. O juro real — que desconta a inflação da taxa nominal — está em 9,51% ao ano, acima de Rússia e Argentina (9,41% cada). Para quem tem financiamento ou depende de crédito, esse número é o que efetivamente pesa.
O governo reagiu com cortes de impostos federais sobre combustíveis e pediu que estados fizessem o mesmo. Até agora, os estados não responderam. O cenário externo também não ajuda: o Federal Reserve americano manteve seus juros inalterados diante do mesmo dilema — inflação pressionada pelo petróleo e mercado de trabalho ainda robusto.
O corte desta quarta-feira marca o início do ciclo de afrouxamento monetário no Brasil. Mas a velocidade da queda depende de quanto tempo a guerra vai durar.
O Banco Central cortou os juros pela primeira vez em quase dois anos. O Copom decidiu nesta quarta-feira (18/3) reduzir a Selic de 15% para 14,75% — encerrando um ciclo que havia levado a taxa ao maior patamar em quase duas décadas. O alívio existe, mas é estreito. A guerra no Oriente Médio mudou o cenário e limitou a margem de manobra da autoridade monetária.
Antes do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, deflagrado em 28 de fevereiro, o mercado financeiro projetava uma trajetória bem mais agressiva de queda. O Boletim Focus de um mês atrás apontava a Selic encerrando 2026 em 12,25%. No levantamento mais recente, divulgado na segunda-feira (17/3), essa expectativa subiu para algo bem acima disso — reflexo direto do impacto do conflito sobre a inflação esperada.
O problema central é o petróleo. Antes da guerra, o barril estava abaixo de US$ 80. Com o conflito, passou a ser cotado acima de US$ 100 em vários dias. No Brasil, os efeitos já aparecem nos postos: o preço médio do litro de diesel subiu mais de 11% nos últimos dias, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Parte do reajuste veio de uma autorização da Petrobras. Mas o governo investiga se distribuidores e donos de posto estão aproveitando o clima de guerra para aumentar margens de forma abusiva. A Polícia Federal abriu inquérito na terça-feira para apurar o caso.
O Copom reconheceu o problema em seu comunicado. Afirmou considerar "os impactos dos conflitos no Oriente Médio de forma prospectiva, em particular seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil". A autoridade também alertou que "a incerteza acerca dessas projeções foi elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos".
Mesmo com o corte, o Brasil segue em posição desconfortável no ranking global de juros. O país tem agora a segunda maior taxa de juro real do mundo entre as principais economias, atrás apenas da Turquia, segundo cálculos das consultorias MoneYou e Lev Intelligence. O juro real brasileiro — que desconta a inflação da taxa nominal — está em 9,51% ao ano, superando Rússia e Argentina, ambas com 9,41%. Em termos nominais, o Brasil ocupa o quarto lugar, com 14,75%, atrás de Turquia (37%), Argentina (29%) e Rússia (15,5%).
O juro real importa porque revela o custo verdadeiro de um empréstimo ou o retorno real de uma aplicação financeira. Para quem tem dívidas, financia um imóvel ou depende de crédito para investir no negócio, ele é o número que de fato pesa no bolso.
O governo federal reagiu à alta dos combustíveis com cortes de impostos federais e apelou para que estados fizessem o mesmo com alíquotas regionais. Até agora, os estados não anunciaram reduções. O presidente Lula afirmou na semana passada que o governo faz "um sacrifício enorme" para "evitar que os efeitos da irresponsabilidade das guerras cheguem ao povo brasileiro".
O cenário não é exclusivamente brasileiro. Segundo levantamento da MoneYou e Lev Intelligence com 40 países, 82,5% mantiveram seus juros, 7,5% elevaram e 10% cortaram. As perspectivas inflacionárias foram revisadas para cima na maioria deles. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve — que havia cortado juros três vezes seguidas no ano passado — decidiu manter sua taxa inalterada, entre 3,5% e 3,75%, diante do dilema de combater inflação sem prejudicar o emprego. O Banco Central do Canadá também optou pela manutenção, em 2,25%, alertando que o conflito vai pressionar os preços da gasolina no curto prazo.
O corte de hoje é um sinal de que o Banco Central deu início à flexibilização monetária. Mas o ritmo e a profundidade dessa queda dependem de uma variável que nenhuma autoridade controla: a duração da guerra.