Lula injeta bilhões na economia em ano eleitoral e pressiona inflação
O governo Lula montou o maior pacote de estímulos do terceiro mandato para 2026 — ano de eleição presidencial. As principais medidas já em curso: isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil (custo estimado de R$ 30 bilhões a R$ 40 bilhões), expansão dos programas Gás do Povo e Luz do Povo (R$ 15,5 bilhões em transferências), crédito consignado com projeção de R$ 134 bilhões em novas operações e Minha Casa Minha Vida em ritmo recorde.
O lado negativo é direto: economistas apontam que o volume de estímulos mantém a pressão sobre a inflação e dificulta a queda dos juros. A Selic está em 14,75% ao ano — a mais alta em vinte anos — e a dívida pública cresceu para 78,7% do PIB. O PIB deve crescer apenas 1,8% em 2026, e a inflação deve fechar o ano acima de 4%.
Para o leitor que ganha até R$ 5 mil, a isenção do IR já está valendo desde janeiro — o efeito no salário é imediato. Os demais programas ampliam benefícios para famílias de baixa renda. O impacto político das medidas, porém, ainda é incerto: pesquisas mostram que Lula e Flávio Bolsonaro seguem empatados com 41% cada para o segundo turno.
O governo Lula montou para 2026 o maior pacote de estímulos do terceiro mandato — e a conta, tanto eleitoral quanto econômica, está aberta. Com a eleição presidencial em outubro, o presidente enfrenta o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) empatado nas pesquisas em 41% cada, segundo a Quaest de março.
As principais medidas já em vigor ou em expansão neste ano:
Isenção do IR: quem ganha até R$ 5 mil deixou de pagar imposto desde janeiro. A mudança deve representar entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões a menos de arrecadação, beneficiando 15 milhões de pessoas.
Gás do Povo e Luz do Povo: juntos, somam R$ 15,5 bilhões em transferências neste ano. O Gás do Povo triplicou o número de famílias atendidas — de 4,5 milhões para 15 milhões.
Crédito do Trabalhador: linha de consignado com garantia do FGTS já liberou R$ 26 bilhões só nos primeiros meses de 2026. Projeção para o ano: R$ 134 bilhões.
Minha Casa Minha Vida: orçamento recorde de R$ 180 bilhões em 2025, com meta de dobrar o ritmo de contratações em 2026. O limite de renda para acesso subiu para R$ 13 mil e o valor máximo do imóvel para R$ 600 mil.
O custo econômico dessas políticas é direto. Economistas como Gabriel Leal de Barros (ARX Investimentos) e Samuel Pessoa (FGV/BTG Pactual) apontam que o volume de estímulos contribuiu para manter a Selic elevada — atualmente em 14,75% ao ano, ainda a mais alta em vinte anos — e para o crescimento da dívida pública, que saiu de 71,7% para 78,7% do PIB entre o fim de 2022 e janeiro de 2026.
O PIB deve crescer 1,8% em 2026, abaixo dos anos anteriores, e a inflação deve fechar o ano acima de 4%, segundo o Boletim Focus.
Do ponto de vista político, o cientista político Rafael Cortez (Tendências Consultoria) alerta que os estímulos não se traduzem automaticamente em votos num cenário de forte polarização. O apoio de Lula entre quem ganha de 2 a 5 salários-mínimos — grupo mais beneficiado pela isenção do IR — caiu de 46% para 38% entre agosto de 2025 e março de 2026. Flávio Bolsonaro avançou no mesmo grupo, de 35% para 41%.
O governo Lula montou para 2026 o maior conjunto de estímulos econômicos do terceiro mandato — isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil, crédito consignado expandido, programas sociais ampliados e um Minha Casa Minha Vida em ritmo recorde. A conta política é clara: o presidente disputa a reeleição em outubro contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e os dois aparecem empatados com 41% cada nas pesquisas Quaest de março. O efeito colateral econômico também é claro: mais pressão sobre a inflação e mais dificuldade para o Banco Central baixar os juros.
A isenção do IR para rendas de até R$ 5 mil — com alíquotas reduzidas para quem ganha até R$ 7.350 — entrou em vigor em janeiro e deve representar entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões a menos de arrecadação ao longo de 2026, segundo projeções de BTG Pactual e ARX Investimentos. Quinze milhões de pessoas são beneficiadas. O Ministério da Fazenda afirmou não ter projeção atualizada do impacto.
Nos programas sociais, o destaque é o Gás do Povo e o Luz do Povo. Juntos, devem movimentar R$ 15,5 bilhões neste ano — R$ 3,6 bilhões a mais do que em 2025. O Gás do Povo mais que triplicou o número de famílias atendidas, de 4,5 milhões para 15 milhões, com direito a recargas de 4 a 6 botijões por ano. O Luz do Povo deve ampliar a cobertura de 16,7 milhões para 20,9 milhões de residências.
No crédito, o Crédito do Trabalhador — linha de consignado criada em março de 2025 com o FGTS como garantia — já liberou R$ 26 bilhões apenas nos primeiros dois meses e meio de 2026, metade de tudo o que foi concedido em 2025 inteiro. A ARX Investimentos projeta R$ 134 bilhões em novas operações ao longo deste ano.
O Minha Casa Minha Vida opera com orçamento recorde. Em 2025 foram R$ 180 bilhões comprometidos e a meta é contratar 3 milhões de unidades até o fim de 2026 — o dobro da média anual dos três primeiros anos do mandato. O governo também ampliou o limite de renda para R$ 13 mil e o valor máximo do imóvel financiado para R$ 600 mil. Duas novidades do ano passado — a Faixa 4 do MCMV e o programa Reforma Casa Brasil — devem movimentar R$ 46 bilhões em 2026, ante apenas R$ 8 bilhões em 2025. O BNDES, por sua vez, projeta superar R$ 200 bilhões em operações este ano, após os R$ 169,7 bilhões de 2025.
O contraponto econômico é direto. O economista Gabriel Leal de Barros, da ARX Investimentos, aponta que o volume de estímulos foi um dos fatores que empurrou a Selic para 15% ao ano — maior patamar desde 2006. Com o pequeno corte na última reunião do Copom, a taxa está agora em 14,75%, ainda a mais alta em vinte anos. "Essa quantidade de grana movimentando a economia fez com que a Selic tivesse que ser 15%. Não fosse isso, poderia ser muito menor", afirma Barros.
Samuel Pessoa, pesquisador da FGV e do BTG Pactual, acrescenta o impacto sobre a dívida pública, que cresceu de 71,7% do PIB em dezembro de 2022 para 78,7% do PIB em janeiro deste ano. "Quando você aumenta o consumo agregado, sendo que a economia já está operando a pleno emprego, isso gera pressão inflacionária. Aí tem que ter mais juros e a dívida pública vai crescer mais", diz.
Nem todos os economistas compartilham da mesma leitura. Nelson Marconi, professor da FGV Eaesp, atribui o problema da dívida principalmente à meta de inflação baixa fixada pelo CMN, que obriga o Banco Central a manter juros elevados — o que, por sua vez, pressiona o governo a adotar mais estímulos para sustentar o crescimento.
O PIB deve crescer 1,8% em 2026, abaixo dos 2,3% de 2025 e dos 3,4% de 2024, segundo o Boletim Focus. A inflação acumulada em 12 meses até fevereiro estava em 3,81%, mas a previsão do mercado é que o IPCA feche o ano acima de 4%.
Do ponto de vista eleitoral, o cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, alerta que o impacto das medidas nas urnas não é garantido. O apoio de Lula entre quem ganha de 2 a 5 salários-mínimos — grupo diretamente beneficiado pela isenção do IR — recuou de 46% em agosto de 2025 para 38% em março de 2026, enquanto Flávio Bolsonaro subiu de 35% para 41% no mesmo grupo. "Não importa o que Lula faça. Um dos efeitos da polarização é diminuir o número de eleitores dispostos a mudar de ideia", observa Cortez.
O presidente mantém vantagem entre os eleitores de menor renda — 52% a 32% sobre Flávio entre quem ganha até dois salários-mínimos.