Tesouro IPCA+ paga mais que CDI se juros reais caírem meio ponto
As taxas do Tesouro IPCA+ caíram levemente na última sexta-feira, e uma gestora que apostou alto nesse movimento explica por quê a correção ainda pode ser grande — e rentável.
A Ghia Multi Family Office calcula que um recuo de apenas 50 pontos-base nos juros reais já é suficiente para o Tesouro IPCA+ superar o CDI projetado de 14,3% em 12 meses, desde que o investidor escolha vencimentos entre 2030 e 2032. A gestora chegou à maior alocação em NTN-Bs de sua história, com até 30% dos portfólios nesses papéis.
O argumento central é que o Brasil paga juros reais incompatíveis com seu risco. Com juro real ex-ante de 9,5%, o país está atrás apenas da Turquia no mundo — mas o risco brasileiro, medido pelo CDS de 5 anos em 126 pontos, é muito menor que o de Turquia, Argentina e Rússia, que completam esse grupo. México e África do Sul, com risco similar ao Brasil, pagam juros reais na faixa de 5%.
Para quem tem renda fixa na carteira, vale a leitura: se os juros reais convergirem para patamares mais coerentes com o risco brasileiro, os títulos longos do Tesouro IPCA+ entregarão ganhos significativos. O vencimento 2032 renderá 15,2% no cenário de fechamento de 50 pontos. E se o cenário macroeconômico piorar, a indexação ao IPCA protege contra a inflação.
As taxas do Tesouro IPCA+ recuaram até 10 pontos-base na sexta-feira passada, reanimando uma tese que algumas gestoras vinham construindo há meses: os juros reais brasileiros estão excessivamente altos em relação ao risco do país, e os títulos atrelados à inflação podem entregar retornos bem acima do CDI caso essa distorção se corrija.
O cálculo é direto. Segundo levantamento da Ghia Multi Family Office, um recuo de apenas 50 pontos-base nos juros reais — de 7,5% para 7,0% — já é suficiente para superar o CDI projetado de 14,3% em 12 meses, desde que o título escolhido tenha duração mínima de 6 anos. No Tesouro IPCA+ 2032, esse fechamento entregaria 15,2%. No 2035, 16,4%. Quem optar pelo vencimento mais longo, o 2050, veria o retorno chegar a 23,7% — mas com um risco elevado: uma alta de 1 ponto percentual nas taxas causaria perda de 12,8% no mesmo período.
A Ghia chegou à maior exposição a NTN-Bs de sua história, com entre 25% e 30% dos portfólios nesses papéis, e prefere ficar nos vencimentos entre 2030 e 2032. "Não precisa de uma duration tão longa. Se eventualmente tiver uma abertura maior, quem está muito longo acaba sofrendo mais do que compensa", explica Tadeu Arantes, head de alocação da gestora.
A justificativa vai além do retorno esperado. Com juro real ex-ante em torno de 9,5%, o Brasil é o segundo maior do mundo, atrás apenas da Turquia. Mas enquanto a Turquia tem CDS de 231 pontos, Rússia de 13 mil e Argentina acima de mil, o CDS brasileiro está em apenas 126 pontos — nível comparável ao México (86) e à África do Sul (140), países que pagam juros reais bem menores, na faixa de 5%.
Para a Ghia, o ajuste é inevitável: com juro real em 7,5%, crescimento de 2% do PIB e superávit primário de 0,5%, a trajetória da dívida pública se torna insustentável. Quando a correção vier, quem estiver posicionado nos títulos captura o ganho. E se o cenário piorar, a indexação ao IPCA protege contra a inflação.
As taxas do Tesouro IPCA+ recuaram até 10 pontos-base na última sexta-feira — um movimento que reacendeu o interesse por um dos títulos mais debatidos do mercado de renda fixa. A queda é pequena em termos absolutos, mas suficiente para trazer à tona uma tese que algumas gestoras vinham construindo há meses: os juros reais brasileiros estão distorcidos para cima, e quem se posicionar agora pode capturar um ganho relevante quando essa distorção se corrigir.
O raciocínio é direto. Um recuo de apenas 50 pontos-base nos juros reais — saindo de 7,5% para 7,0% — já é suficiente para superar o CDI projetado de 14,3% nos próximos 12 meses, desde que o investidor escolha um título com duração de pelo menos 6 anos. É o que aponta levantamento da Ghia Multi Family Office, gestora que atingiu a maior exposição a NTN-Bs de sua história, com entre 25% e 30% dos portfólios alocados nesses papéis.
Os números por vencimento deixam a tese mais clara. No Tesouro IPCA+ 2032, com duração de 6,3 anos, esse fechamento de 50 pontos entregaria 15,2% em 12 meses. No 2035, com 9 anos de duração, o retorno chegaria a 16,4%. No vencimento mais longo, o 2050, o ganho seria de 23,7% — mas com um risco proporcional: uma alta de 1 ponto percentual nas taxas causaria perda de 12,8% no mesmo período.
É por isso que a Ghia prefere ficar na faixa intermediária. "Para capturar o upside sem precisar contar tanto com a sorte, a gente prefere estar entre 2030 e 2032", explica Tadeu Arantes, head de alocação da gestora. Os vencimentos mais curtos, como o 2028, também não empolgam: no mesmo cenário de fechamento de 50 pontos, entregariam apenas 13,2%, abaixo do CDI.
A justificativa para a tese vai além do cálculo de retorno. A Ghia argumenta que o nível atual dos juros reais brasileiros é incompatível com o perfil de risco do país. Com dados de março, o juro real ex-ante do Brasil — resultado de descontar a inflação esperada da Selic atual — ficou em torno de 9,5%, colocando o Brasil como segundo maior do mundo, atrás apenas da Turquia (10,38%).
O problema está na companhia. Rússia e Argentina completam o grupo de países com juros reais comparáveis ao Brasil — um está em guerra e sob sanções, o outro ainda tenta estabilizar suas contas públicas. O CDS de 5 anos do Brasil, que funciona como um termômetro do risco de calote percebido pelo mercado, está em 126 pontos. O da Rússia, em 13 mil. O da Argentina, acima de mil. O da Turquia, em 231.
Quando a comparação muda para países de risco semelhante ao Brasil, o contraste fica ainda mais evidente. O México tem CDS de 86 pontos e juro real ex-ante de 5,39%. A África do Sul tem CDS de 140 pontos e juro real de 5,22%. O Brasil, com CDS de 126, cobra quase o dobro.
Há ainda um terceiro argumento: a sustentabilidade da dívida pública. Com juro real constante em 7,5%, crescimento do PIB de 2% e superávit primário de 0,5%, a trajetória da dívida se torna insustentável. Nem elevar o superávit para 1,5% resolveria o problema. "Por bem ou por mal, vai ter que ter um ajuste", diz Arantes. "O nível de juros que a gente tem hoje torna a dívida pública insustentável."
A conclusão da gestora é que esse ajuste virá inevitavelmente pela queda dos juros reais — e quem estiver posicionado nas NTN-Bs capturará o ganho de capital quando isso acontecer. E para o cenário adverso, os títulos oferecem proteção: se a inflação disparar, a indexação ao IPCA preserva o poder de compra do investimento.
"A classe oferece uma convexidade rara", resume Arantes. "Se o cenário continuar como está, o carrego fica em torno de 12%, abaixo do CDI, mas longe de ser uma tragédia. Se melhorar, temos upside relevante. E se piorar muito, a indexação protege."