Oriente Médio em ebulição dita o tom dos mercados nesta segunda
Os mercados globais abrem esta segunda em queda depois de um fim de semana turbulento no Oriente Médio. A Marinha americana apreendeu um navio iraniano no Golfo de Omã, o Irã rejeitou novas negociações com os EUA e o petróleo dispara — o que pressiona diretamente a inflação e o custo de combustíveis no Brasil.
No país, o efeito já aparece em dois sinais concretos: o governo editou uma taxa de exportação de 12% sobre o petróleo para tentar segurar os preços domésticos, e a Petrobras recusou cerca de 10% dos pedidos de diesel das distribuidoras para maio, evitando importações caras.
Na agenda doméstica, o relatório Focus do Banco Central sai pela manhã, com expectativas de inflação em alta. O dia deve ter baixa liquidez na bolsa por ser véspera de Tiradentes. A próxima rodada de negociações no Oriente Médio — ou a ausência dela — dará o tom para o restante da semana.
Os mercados globais abrem esta segunda-feira (20) em queda, com o petróleo em alta, depois de um fim de semana marcado por nova escalada no Oriente Médio. O presidente americano Donald Trump confirmou que a Marinha dos EUA alvejou e apreendeu um navio cargueiro iraniano no Golfo de Omã — o primeiro confronto direto desde o início do bloqueio na região, há cerca de uma semana. O Irã, por sua vez, rejeitou novas negociações, endurecendo o impasse.
No Brasil, o Ibovespa já havia fechado a semana passada em baixa de 0,55%, a 195.734 pontos. Esta segunda ainda deve ter liquidez reduzida por ser véspera do feriado de Tiradentes.
O conflito afeta diretamente o Brasil em pelo menos dois flancos. Primeiro, o governo Lula editou medida provisória com taxa de exportação de 12% sobre o petróleo para tentar conter o repasse dos preços internacionais aos consumidores — mas a medida enfrenta disputa judicial: o TRF-2 suspendeu uma liminar que impedia a cobrança para algumas petroleiras estrangeiras. Segundo, a Petrobras voltou a recusar cerca de 10% dos pedidos de diesel de grandes distribuidoras para maio, tentando evitar importações enquanto os preços internacionais estão elevados.
Na agenda do dia, o novo relatório Focus do Banco Central sai pela manhã. O Bradesco aponta que as expectativas de inflação vêm subindo, pressionadas pelo petróleo e pelos dados do primeiro trimestre. Às 15h, sai a balança comercial. No exterior, Christine Lagarde, presidente do BCE, discursa às 13h40 — e seu tom pode influenciar as expectativas globais para os juros.
Enquanto isso, o presidente Lula está na Alemanha, com compromissos em Herrenhausen e visita à fábrica da Volkswagen.
A semana começa sob pressão. Os mercados globais abrem esta segunda-feira (20) no vermelho, o petróleo avança e o cenário geopolítico no Oriente Médio voltou a se deteriorar depois de um fim de semana que frustrou as expectativas de um acordo de paz. Para o Brasil, o impacto é direto: combustíveis, inflação e juros estão todos conectados ao que acontece nessa região.
O gatilho mais recente foi uma ação militar americana no Golfo de Omã. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que a Marinha americana alvejou e apreendeu um navio cargueiro de bandeira iraniana que ignorou ordens de parada ao deixar o Estreito de Ormuz. O episódio é o primeiro grande confronto desde o início do bloqueio na região, há cerca de uma semana, e elevou a percepção de risco entre investidores ao redor do mundo.
Nas bolsas, os pré-mercados de Nova York e as principais praças europeias operam em queda. O petróleo sobe em reação direta à escalada do conflito. No Brasil, o Ibovespa já havia encerrado a semana passada com perda de 0,55%, fechando a 195.734 pontos — movimento que destoa do ânimo mais positivo que predominou nos mercados globais naquele período.
O quadro diplomático também piorou. O Irã rejeitou novas negociações com os Estados Unidos, segundo sua agência estatal de notícias, horas depois de Trump afirmar que enviaria representantes ao Paquistão para conversas e que lançaria novos ataques caso o país não aceitasse os termos propostos. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, havia sinalizado na sexta-feira que o Estreito de Ormuz estava aberto para embarcações comerciais durante a trégua de dez dias mediada pelos EUA — acordo firmado entre Israel e o Líbano para interromper combates com o Hezbollah. O episódio do fim de semana mudou o tom.
No Brasil, o governo do presidente Lula reagiu à alta dos preços do petróleo com uma medida provisória que instituiu uma taxa de exportação de 12% sobre o petróleo, com o objetivo de conter o repasse dos preços internacionais para os consumidores brasileiros. A medida enfrenta resistência no setor: o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) suspendeu uma liminar que impedia a cobrança para algumas das principais petroleiras estrangeiras que operam no país — o que indica que a disputa judicial ainda não terminou.
Há outro sinal de tensão no abastecimento interno. A Petrobras voltou a não atender integralmente os pedidos de diesel de grandes distribuidoras para entregas previstas em maio. A negativa gira em torno de 10% do volume demandado, segundo duas fontes ouvidas sob anonimato. A petroleira busca evitar importar o combustível em meio aos altos preços no mercado internacional — mas a recusa pressiona o fornecimento doméstico.
Na agenda doméstica desta segunda, o destaque é o novo relatório Focus do Banco Central, divulgado pela manhã. Segundo o Bradesco, as expectativas de alta da inflação vêm crescendo nas últimas semanas, reflexo dos preços do petróleo pressionados e dos resultados do primeiro trimestre acima do esperado. Às 15h, sai a balança comercial. No exterior, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, discursa às 13h40 (horário de Brasília) — seu tom pode influenciar as expectativas globais de política monetária.
O dia também tem agenda política internacional. Lula está na Alemanha, com participação em declaração conjunta à imprensa no Palácio de Herrenhausen às 9h35 e visita à fábrica da Volkswagen às 11h40 (ambos horários de Brasília). As negociações desta segunda tendem a ter liquidez reduzida no Brasil por ser véspera do feriado de Tiradentes.