Pacote eleitoral de Lula ultrapassa R$ 215 bilhões com fim das bets e novo Desenrola
O governo Lula acumula R$ 215,6 bilhões em medidas anunciadas em ano eleitoral — o maior pacote desde o início do mandato. As adições mais recentes são o fim das bets, com perda de R$ 1,5 bilhão em arrecadação só neste ano, e o Desenrola 3.0, que prevê até R$ 15 bilhões em compra de dívidas bancárias para renegociação com desconto mínimo de 90%.
O pacote cresceu de 11 para 22 medidas ao longo de 2026, passando de R$ 144 bilhões em maio para mais de R$ 200 bilhões agora. Bolsa Família reajustado, linhas de crédito para caminhoneiros, agricultores e motoristas de app completam a lista.
O governo rejeita o rótulo eleitoral e defende que as ações cabem no Orçamento. O custo real para as contas públicas — e se as metas fiscais serão mantidas — será avaliado nos próximos meses.
O pacote de medidas do governo Lula em ano eleitoral chegou a R$ 215,6 bilhões — impulsionado pelas duas adições mais recentes: o fim das casas de apostas online e o lançamento do Desenrola 3.0, programa de renegociação de dívidas em sua terceira edição.
O conjunto de ações começou o ano com 11 medidas e R$ 144 bilhões. Foi crescendo mês a mês — R$ 180 bilhões em junho, R$ 193,8 bilhões em setembro — e agora soma 22 ações e supera os R$ 200 bilhões.
O fechamento das bets gera perda imediata de R$ 1,5 bilhão em arrecadação neste ano. Para 2027, o impacto sobe para R$ 5,3 bilhões, segundo o PLOA — entre a tributação dos ganhos das casas e a taxa de fiscalização. Em 2025, o setor recolheu cerca de R$ 10 bilhões aos cofres públicos.
O Desenrola 3.0 funciona de forma diferente das rodadas anteriores: o governo pretende gastar até R$ 15 bilhões para comprar dívidas de até R$ 10 mil dos balanços dos bancos, com desconto mínimo de 90%, alcançando uma carteira de R$ 150 bilhões até 2028. A lógica é negociar descontos no atacado com os bancos, repassá-los aos devedores e liberar o crédito bancário.
Outras medidas do pacote incluem o reajuste do Bolsa Família (R$ 22 bilhões), linhas de crédito para caminhoneiros, agricultores, entregadores de aplicativos e motoristas de app, além do Desenrola 2.0.
O governo nega caráter eleitoral nas medidas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o secretário-executivo do Planejamento, Guilherme Mello, defendem que as ações são fiscalmente responsáveis e não comprometem as metas. Para analistas e oposição, a concentração de benefícios em ano eleitoral conta outra história. A decisão sobre quem tem razão ficará mais clara após os dados fiscais do segundo semestre.
O governo Lula chegou a R$ 215,6 bilhões em medidas anunciadas em ano eleitoral. As duas adições mais recentes ao pacote são o fim das casas de apostas online, as bets, e o lançamento do Desenrola 3.0, terceira rodada do programa de renegociação de dívidas. A conta, que começou o ano em R$ 144 bilhões com 11 medidas, foi crescendo mês a mês: chegou a R$ 180 bilhões em junho, a R$ 193,8 bilhões em setembro e agora ultrapassa os R$ 200 bilhões, somando 22 ações.
O fechamento das bets tem um custo duplo para o Orçamento. Neste ano, a perda de arrecadação é de R$ 1,5 bilhão. Para 2027, a conta sobe: o governo abria mão de R$ 5,3 bilhões previstos no Projeto de Lei Orçamentária Anual — entre a tributação dos ganhos das casas de apostas e a taxa de fiscalização cobrada delas. Só em 2025, a Receita Federal arrecadou cerca de R$ 10 bilhões com o setor. No primeiro semestre de 2026, foram R$ 7,3 bilhões — valores que incluem também contribuições sociais e previdenciárias pagas pelas empresas.
Já o Desenrola 3.0 tem uma mecânica diferente das rodadas anteriores. O governo pretende gastar até R$ 15 bilhões para comprar, com desconto mínimo de 90%, uma carteira de aproximadamente R$ 150 bilhões em dívidas — o prazo vai até 2028. O foco são dívidas de até R$ 10 mil que estão nos balanços dos bancos. A lógica: o governo negocia no atacado com as instituições financeiras, repassa os descontos aos devedores e libera os bancos para emprestar mais.
O pacote eleitoral acumulado reúne uma série de medidas lançadas ao longo do ano. Entre as principais: aporte de até R$ 15 bilhões no Fundo de Garantia de Operações para o Desenrola 2.0; linha de crédito de R$ 21,2 bilhões para financiamento de caminhões e ônibus; linha de R$ 10 bilhões para máquinas agrícolas; cerca de R$ 4 bilhões em crédito para motos de entregadores de aplicativos; R$ 30 bilhões para renovação de frota de taxistas e motoristas de apps; e o reajuste do Bolsa Família, com custo estimado de R$ 22 bilhões para 2026 e 2027.
O governo rejeita o enquadramento eleitoral. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu as medidas como responsáveis e dentro do Orçamento — diferente, segundo ele, do que ocorreu no último ano da gestão Jair Bolsonaro. O secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Guilherme Mello, afirmou em agosto que as ações têm impacto positivo sobre a economia sem colocar em risco as metas fiscais ou o controle da inflação.
O debate sobre o impacto fiscal real do pacote, no entanto, segue aberto. A combinação de renúncia de receita, expansão de crédito subsidiado e aumento de benefícios sociais, tudo concentrado em ano eleitoral, é o centro das críticas de analistas e da oposição. A eleição presidencial está marcada para outubro de 2026.