Raízen registra prejuízo de R$ 15,6 bilhões no terceiro trimestre
A empresa selecionou assessores para avaliar alternativas estruturais, com controladores Cosan e Shell comprometidos a contribuir capital para solução definitiva.
A controlada pela Cosan e Shell explicou que a provisão decorreu da revisão de procedimentos contábeis para testes de recuperabilidade de ativos, incluindo tributos diferidos e ágio. A empresa ressaltou que as provisões "não possuem efeito caixa" e podem ser revertidas.
Diante da grave situação, a Raízen selecionou assessores para avaliar alternativas estruturais que mantenham sua viabilidade. O processo é conduzido com os controladores, que "se comprometeram a contribuir capital" em solução definitiva.
A dívida líquida ultrapassava R$ 53 bilhões no último trimestre, montante considerado insustentável. A alta alavancagem limita a capacidade de investimento e geração de caixa da companhia.
O setor sucroenergético enfrenta desafios estruturais, incluindo volatilidade de preços, condições climáticas adversas e competição no mercado de combustíveis. A situação da Raízen pode impactar abastecimento e preços ao consumidor.
Analistas apontam que a reestruturação será complexa, podendo envolver conversão de dívida, venda de ativos e renegociação com credores.
O prejuízo foi severamente impactado por impairment de R$ 11,1 bilhões no trimestre, provisão para perda de valor de ativos decorrente da deterioração de crédito evidenciada pelo rebaixamento dos ratings corporativos pelas principais agências nacionais e internacionais.
Segundo a companhia controlada pela Cosan e pela Shell, a provisão decorreu da "revisão de procedimentos contábeis aplicáveis às premissas utilizadas nos testes de recuperabilidade de determinados ativos", incluindo tributos diferidos e a recuperar, ágio sobre rentabilidade futura e outros ativos não financeiros.
A empresa ressaltou que as provisões "não possuem efeito caixa e poderão ser futuramente revertidas à medida que as circunstâncias macroeconômicas da indústria melhorem e a Companhia equacione sua estrutura de capital". A declaração reflete a expectativa de recuperação condicionada à melhoria das condições de mercado.
Diante da grave situação financeira, a Raízen voltou a informar que selecionou assessores financeiros e legais para conduzir avaliação de alternativas estruturais que mantenham sua viabilidade e competitividade no longo prazo. O processo está sendo conduzido em conjunto com os acionistas controladores.
Os controladores Cosan e Shell "se comprometeram em contribuir capital dentro de uma solução consensual, estruturante e de maneira definitiva", segundo comunicado da empresa. Essa sinalização busca tranquilizar o mercado sobre o apoio dos sócios majoritários na reestruturação.
A dívida líquida da Raízen ultrapassava R$ 53 bilhões ao final do último trimestre reportado, montante considerado insustentável pelos analistas de mercado. A alta alavancagem financeira tem limitado a capacidade de investimento e geração de caixa da companhia.
O setor sucroenergético brasileiro enfrenta desafios estruturais, incluindo volatilidade dos preços de commodities, condições climáticas adversas e competição acirrada no mercado de combustíveis. A Raízen, apesar de sua posição de liderança, não tem conseguido escapar dessas pressões setoriais.
A situação da Raízen tem implicações importantes para o mercado brasileiro de combustíveis e açúcar. Como uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país, eventuais dificuldades operacionais podem impactar o abastecimento e os preços ao consumidor final.
Os resultados negativos também afetam os planos de expansão da empresa em biocombustíveis e energias renováveis, setores considerados estratégicos para a transição energética brasileira. A companhia havia anunciado investimentos bilionários nesses segmentos.
O mercado de capitais reagiu negativamente aos resultados, com as ações da Raízen acumulando perdas significativas nas últimas sessões. Investidores demonstram preocupação com a capacidade da empresa de honrar seus compromissos financeiros no curto prazo.
Analistas do setor apontam que a reestruturação da Raízen será complexa e pode envolver conversão de dívida em capital, venda de ativos não essenciais e renegociação de contratos com credores. O processo deve se estender por vários meses e depende da colaboração de múltiplas partes interessadas.