Petróleo pode ultrapassar US$ 100 com fechamento do Estreito de Ormuz após ataques ao Irã
O fechamento do Estreito de Ormuz — por onde passa mais de 20% do petróleo do mundo — após os ataques dos EUA e de Israel ao Irã pode elevar o preço do barril para a faixa de US$ 80 a US$ 100, alertam analistas. O banco britânico Barclays avalia que ultrapassar os US$ 100 por barril é "muito possível" caso a interrupção no fornecimento se prolongue.
O Brent já fechou a semana passada próximo a US$ 73, maior nível em sete meses. A Opep+ se reúne neste domingo para discutir aumento de produção que tente conter a alta.
Para o Brasil, o impacto é direto: petróleo mais caro significa gasolina, diesel e fretes mais caros — pressionando a inflação no momento em que os juros já estão elevados.
O fechamento do Estreito de Ormuz — corredor por onde passa mais de 20% do petróleo mundial — após os ataques dos EUA e de Israel ao Irã no sábado, 28 de fevereiro, jogou os mercados globais em alerta. Analistas de Wall Street e bancos como o Barclays projetam que o preço do barril pode atingir a faixa de US$ 80 a US$ 100, com risco de ultrapassar esse patamar caso a tensão se prolongue.
O Brent fechou a semana próximo a US$ 73 por barril — a maior cotação em sete meses — já incorporando o prêmio de risco político pelo acúmulo militar americano na região. Mas o ataque de sábado representa uma escalada além do esperado.
O banco britânico Barclays avalia ser "muito possível" que o petróleo atinja US$ 100 caso o fechamento do Estreito de Ormuz persista ou campos petrolíferos sauditas sejam atingidos. "Seria difícil substituir grande parte desse fornecimento por semanas e talvez meses, mesmo considerando os oleodutos alternativos", afirmou o analista Ajay Rajadhyaksha.
Nigel Green, do deVere Group, estima que uma interrupção de apenas 1 milhão de barris por dia — cerca de 1% da oferta global — já seria suficiente para desequilibrar o mercado e elevar os preços de forma expressiva.
O fator mais relevante a ser observado neste domingo é a decisão da Opep+, que se reúne para discutir cotas de produção. A avaliação de economistas, como William Jackson, da Capital Economics, é que o grupo deve aumentar a produção acima do planejado, possivelmente superando os 137.000 barris por dia que estavam em discussão, justamente para tentar conter a alta dos preços.
Para o Brasil, um barril a US$ 100 significa pressão imediata sobre combustíveis, fretes e inflação — em um cenário no qual o Banco Central já mantém juros elevados. A Petrobras, por sua vez, enfrenta o dilema entre receitas maiores em dólares e pressões políticas sobre preços domésticos.
O ataque coordenado dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no sábado, 28 de fevereiro, provocou o fechamento do Estreito de Ormuz — o corredor marítimo por onde passa mais de 20% do petróleo consumido no mundo —, e agora analistas e bancos de investimento globais avaliam que os preços da commodity podem escalar rapidamente para a faixa de US$ 80 a US$ 100 por barril, com risco de ultrapassar esse teto caso o conflito se prolongue.
O Brent — principal referência internacional do petróleo — encerrou a semana de sexta-feira, 27, próximo à máxima em sete meses, cotado a cerca de US$ 73 por barril. O avanço já refletia o prêmio de risco embutido no preço diante do acúmulo de tropas americanas na região, mas o ataque de sábado representa uma escalada que vai além do que os mercados haviam precificado.
O banco britânico Barclays classificou como "muito possível" uma alta até US$ 100 por barril — ou mais — caso o fechamento do Estreito de Ormuz se torne prolongado ou caso campos petrolíferos sauditas sejam atingidos nos ataques retaliatórios do Irã. "Seria difícil substituir grande parte desse fornecimento por semanas e talvez meses, mesmo considerando os oleodutos na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos", afirmou Ajay Rajadhyaksha, analista do banco, em nota a clientes publicada no sábado.
A análise é compartilhada por outros especialistas. Nigel Green, fundador e CEO do deVere Group, estima que uma interrupção sustentada de até 1 milhão de barris por dia — cerca de 1% do fornecimento global — "seria suficiente para alterar os balanços em um mercado já precificado para crescimento moderado na demanda". Em outras palavras: mesmo uma interrupção relativamente pequena no volume total já seria suficiente para provocar alta expressiva nos preços.
O fator decisivo nas próximas horas e dias será a reação da Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados). O grupo se reúne neste domingo, 1º de março, e pode decidir aumentar a produção além do patamar planejado de 411.000 barris por dia. William Jackson, economista-chefe para Mercados Emergentes da Capital Economics, avalia que "os riscos para o fornecimento global de petróleo tornam ainda mais provável que a Opep+ opte por aumentar as cotas de produção na reunião deste fim de semana — e talvez em mais do que os 137.000 barris por dia que estão sendo especulados".
Para o Brasil, as consequências são diretas. Um barril de petróleo a US$ 100 pressiona os custos de combustíveis, fretes e energia, alimentando a inflação em um momento em que o Banco Central já mantém uma trajetória de alta da Selic. O impacto chega ao bolso do consumidor via gasolina, diesel e preços de produtos transportados. A Petrobras, que exporta petróleo e opera refinarias no país, também seria afetada — tanto pelo lado positivo de receitas mais altas em dólares quanto pelo lado negativo de pressões políticas sobre preços domésticos.
O Estreito de Ormuz, localizado entre o Irã e a Península Arábica, é a passagem obrigatória para o petróleo produzido no Golfo Pérsico — Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Iraque e o próprio Irã usam esse corredor para exportar. Alternativas existem, como o oleoduto Petroline, que atravessa a Arábia Saudita, mas têm capacidade limitada e não conseguiriam compensar uma interrupção total ou prolongada do fluxo pelo estreito.
A tensão geopolítica em torno do petróleo iraniano não é nova. O Irã produzia, até antes dos ataques, cerca de 3 a 4 milhões de barris por dia — volume que já vinha sendo limitado por sanções americanas ao longo dos últimos anos, mas que se tornou ainda mais incerto com o conflito agora em curso. A morte do líder supremo Ali Khamenei e a destruição de parte da infraestrutura militar e governamental do país adicionam uma camada de imprevisibilidade que os mercados ainda estão tentando precificar.
Os próximos dias serão determinantes: a decisão da Opep+ neste domingo, a extensão do fechamento do Estreito de Ormuz e a intensidade das retaliações iranianas definirão se os preços do petróleo se estabilizarão próximos a US$ 80 ou avançarão em direção a US$ 100 — com consequências diretas para a inflação global e, inevitavelmente, para o custo de vida no Brasil.